Mário Quintana

‘Minha vida não foi um romance…
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo…

Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance…
Pobre vida… passou sem enredo…
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance…
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso.. de um gesto.. um olhar…

Mário Quintana


Sorri… Charles Chaplin

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin


North & South – Elizabeth Gaskell

Quem é fã de Jane Austen, com certeza vai gostar desse livro e dessa série. Eu assisti primeiro a série e fiquei encantada. Para começar as produções de época da BBC são impecáveis, e essa superou tudo que eu já havia assistido antes. Tem uma cena que se passa na fábrica do Mr. Thornton onde se vê centenas de máquinas funcionando e plumas de algodão pairando pelo ar como se fosse neve, simplesmente perfeito. Imagina o trabalho que deve ter dado remontar uma tecelagem de 200 anos atrás com essa perfeição! Isso sem falar nos trajes e locações.

Sou suspeita para falar quando o assunto são romances de época, porque adoro todos, mas este é um dos melhores que eu já vi. Na série o mocinho Mr. Thornton é interpretado pelo irresistível Richard Armitage, um ator bem desconhecido por aqui, mas que ficou simplesmente perfeito no papel. Aqueles olhares que ele dá para Margaret, ai Meu Deus… E como toda adaptação foram feitas algumas mudanças, mas nenhuma que tenha me deixado muito contrariada; algumas deixaram a história até mais romântica, como a cena em que ela vai se despedir dele depois da morte do pai, e ele fica olhando para ela da varanda dizendo baixinho: ‘Olhe para trás, olhe para mim…’ e ela não olha e vai embora.


O livro não foi oficialmente publicado em português, eu acredito, pois não achei em lugar nenhum para comprar nem para baixar. Tem um arquivo no 4shared que está em português, mas eu acho que está em português de Portugal porque me pareceu muito confuso. Fiquei sabendo que a editora Landmark vai publicar uma edição em português, até tem essa informação no site deles, mas tá demorando muito! Eu li o livro em inglês do jeito que deu, e cheguei a traduzir uma parte, mas desisti e resolvi esperar a publicação oficial. O maior problema para traduzir um livro desses são as expressões de época que não se encontra tradução que faça sentido, e nesse livro em particular, os diálogos que envolvem os trabalhadores das fábricas; eles falam numa espécie de gíria e comem metade das palavras “‘that yo’ put in, “so they think.” I’d ha’ thought yo’ a hypocrite, I’m afeard, if yo’ hadn’t, for all yo’r a parson, or rayther because yo’r a parson. Yo’ see, if yo’d spoken o’ religion as a thing that, if it was true” eu me confundia toda nessas partes.

Uma coisa que eu gostei mais desse livro é que a escritora sempre conta o que todos os personagens estão sentindo, não só a protagonista, coisa que Jane Austen não fez. E os pensamentos do Mr. Thornton quando ele olha para Margaret são de causar arrepios. O final da série e do livro são um pouco diferentes mas eu gostei das duas versões. Na série é claro que tem beijo no final, no livro não porque era considerado inapropriado naquela época.

Link para baixar a série (torrent+legenda): Norte e Sul

14/02/2011 – Notícia Boa!!! Finalmente saiu a nova edição em português/inglês pela editora Landmark. R$ 45,00 na livraria Cultura. Já pedi o meu!

Abaixo o final no livro, e o vídeo do final da série.

O Sr. Thornton não falou, e ela foi procurar por algum papel em que estava escrita a proposta por segurança, pois ela estava muito ansiosa para que tudo parecesse uma mera transação comercial, na qual a principal vantagem seria do lado dela. Enquanto ela procurava por este papel, as batidas do seu coração foram detidas pelo tom com o qual o Sr. Thornton falou. Sua voz era rouca e trêmula com tenra paixão, enquanto ele disse:

‘Margaret!’

Por um instante ela olhou para cima; e, em seguida, procurou esconder os olhos luminosos, baixando a testa nas mãos. Novamente, caminhando para perto dela, ele suplicou-a com outra trêmula e ansiosa chamada por seu nome.

‘Margaret!’

Ainda baixando a cabeça, mais perto foi escondido o rosto, quase repousando sobre a mesa à sua frente. Ele se aproximou dela. Ele se ajoelhou ao seu lado, para trazer seu rosto para o nível do ouvido dela; e sussurrou as palavras:

‘Cuidado, se você não falar, eu reclamarei você como minha em alguma estranha e presunçosa maneira. Me mande embora logo, se eu devo ir; Margaret!

À essa terceira chamada ela virou seu rosto, ainda coberto por suas pequenas mãos brancas, para ele, e colocou-o sobre os ombros dele, escondendo-o mesmo ali, e era muito delicioso sentir seu rosto macio contra o dele, para ele desejar ver ou os rubores profundos ou olhos amorosos. Ele abraçou-a perto. Mas ambos mantiveram silêncio. Finalmente, ela murmurou com uma voz quebrada:

‘Oh, Sr. Thornton, Eu não sou boa o bastante!’

‘Não é boa o bastante! Não deboche do meu próprio profundo sentimento de inferioridade.’

Depois de um minuto ou dois, ele gentilmente retirou suas mãos do rosto, e colocou os braços dela como uma vez antes tinham sido colocados para protegê-lo dos desordeiros.

‘Você se lembra, amor?’ Ele murmurou. ‘E como eu retribui você com a minha insolência no dia seguinte?’

‘Eu me lembro como eu falei indevidamente com você, só isso.’

‘Olhe aqui! Levante a sua cabeça. Eu tenho algo para mostrar!’ Ela lentamente encarou-o, brilhando com bonita vergonha.

‘Você conhece essas rosas?’ ele disse, retirando seu livro de bolso, no qual estavam guardadas algumas flores mortas.

‘Não!’ ela respondeu, com uma curiosidade inocente. ‘Eu as dei a você?’

‘Não! Vaidade; você não deu. Você pode ter usado rosas irmãs muito provavelmente.’

Ela olhou para elas, pensando por um minuto, então ela sorriu um pouco quando disse, ‘Elas são de Helstone, não são? Eu conheço as depressões profundas em volta das folhas. Oh! Você esteve lá? Quando você esteve lá?’

‘Eu quis ver o lugar onde Margaret cresceu para o que ela é, mesmo no pior momento de todos, quando eu não tinha esperanças de um dia chamá-la de minha. Eu fui lá no meu retorno de Havre.’

‘Você deve dá-las pra mim,’ disse ela, tentando tirá-las das mãos dele com gentil violência.

‘Muito bem. Só que você deve me pagar por elas!’

‘Como eu poderei contar à Tia Shaw?’ ela sussurrou, depois de algum tempo de silêncio delicioso.

‘Deixe-me falar com ela.’

‘Oh, não! Eu devo isso a ela, mas o que ela dirá?’

‘Eu posso adivinhar. Sua primeira exclamação será, “Aquele homem!”

‘Quieto!’ disse Margaret, ‘ou eu devo tentar mostrar à você os tons indignados da sua mãe quando ela disser, “Aquela mulher!”



Os homens dos romances de época

Algumas montagens do youtube com os heróis dos meus filmes preferidos:

Meu preferido Mr. Darcy(O&P) Matthew Macfadyen o melhor Darcy de todos os tempos; ok o Collin Firth também é fofo e tudo, mas é o Matthew quem eu imagino quando leio o livro. Capitão Wenthwort(Persuasão) Rupert Penry Jones também preferido, empatado com o Darcy, assisti uma versão de 1995 com o Ciáran Hinds e me assustei com a feiura do cara, afinal o Wenthwort era para ser bonito!; Mr. Tilney(Northanger Abbey) JJ Feild -não tão bonito, mas muito charmoso. O irresistível Mr. Thornton (North & South) Richard Armitage simplesmente perfeito! Coronel Brandon. Willoughby e Edward Ferrars (Razão e Sensibilidade), das versões para o cinema de 1995 e para a TV de 2008.  Mr. Knightley versão de Emma de 1996; o filme Amazing Grace e a série Wives & Daughters eu baixei mas não tive tempo de assistir ainda; e mais alguns que eu não conheço.


Mário Quintana


Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mário Quintana


Impulsive & Initiative – Abigail Reynolds

Bom, como meus livros não chegaram ainda, dei uma fuçada na internet para ver se achava alguma coisa interessante para ler enquanto isso. E achei… Seguindo com a minha obsessão do momento que são as novas versões dos clássicos da Jane Austen, eu achei um livro chamado ‘Impulsive & Initiative – What If Mr. Darcy Didn’t Take No for an Answer?’ e também foi publicado com o nome de ‘To Conquer Mr. Darcy’, a autora é Abigail Reynolds, e pelo que eu vi ela tem outros livros todos relacionados à Orgulho e Preconceito.

A história deste livro começa do ponto em que Elizabeth Bennet recusa o pedido de casamento do Mr. Darcy. Quem leu o original sabe o que acontece depois certo? Mas neste livro, o que muda é o seguinte: e se o Mr. Darcy não tivesse aceitado não como resposta? E se ele tivesse voltado para Hertfordshire para tentar conquistar Elizabeth de qualquer maneira? E se depois de conhecer ele melhor Elizabeth descobre que sente uma atração inexplicável por ele, que a faz esquecer até o senso do decoro?

Para quem é radicalmente fiel ao original eu não recomendo a leitura, porque esta obra é muito mais picante do que a original (quer dizer, o original é inocência pura). Mas para quem sempre ansiou por mais da história, querendo um pouco mais dos detalhes ‘particulares’ do amor de Darcy & Lizzy, como eu… é um prato cheio. Depois de ler este, eu cheguei a conclusão definitiva que o Mr. Darcy é o homem ideal em todos os sentidos. Pena que ele não existe de verdade, só na fantasia das mulheres. Ah, mais uma coisa, eu já achava que ele era taurino antes, e agora tenho certeza. Eu achei o livro na internet, em inglês é claro, e estou trabalhando na tradução já tem uma semana, e estou na metade. Confesso que eu consegui ficar envergonhada de traduzir certos termos que eu não estava acostumada ver nos livros que eu costumo ler. Mas apesar de ser um pouco erótico em algumas passagens, mesmo assim conserva um pouco da inocência da história original. Em resumo, achei o livro muito bem escrito, inclusive eu li algumas críticas sobre ele, a maioria positiva, dizendo que esse seria o livro que Jane Austen escreveria se vivesse no nosso tempo atual. Como eu comentei antes, essa escritora tem outros livros do mesmo genêro, todos inspirados em Orgulho e Preconceito, uma série chamada Pemberley Variations.

O site…. http://www.pemberleyvariations.com/books/


“I have loved none but you…”

Minha parte favorita de Persuasão, que me arrepia cada vez que eu leio… a carta do Capitão Wentworth para Anne Elliot no final do livro…. Como alguma coisa sempre se perde na tradução… segue a versão original e a traduzida.

“I can listen no longer in silence. I must speak to you by such means as are within my reach. You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in F. W. I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father’s house this evening or never.”

“Já não consigo escutar em silêncio. Tenho de lhe falar pelos meios ao meu alcance. Você transpassa-me a alma. Sinto-me entre a agonia e a esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos se perderam para sempre. Me ofereço novamente a ti com um coração  ainda mais seu do que quando  você quase o despedaçou há oito anos e meio atrás. Não diga que o homem esquece mais depressa que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei ninguém, se não a ti. Posso ter sido injusto, posso ter sido fraco e rancoroso, mas nunca inconstante. Você sozinha me trouxe a Bath.. Somente para você eu penso e faço planos. Não reparou nisso? Não percebeu os meus desejos? Se eu tivesse conseguido ler os seus sentimentos, como creio que deve ter decifrado os meus, não teria esperado estes dez dias. Mal consigo escrever. A todo o momento estou a ouvir uma coisa que me emociona. Anne baixa a voz, mas eu consigo ouvir os tons dessa voz, mesmo quando os outros não conseguem.Criatura demasiada boa, demasiada pura! Faz-nos, de fato, justiça, ao acreditar que os homens são capazes de um verdadeiro afeto e uma verdadeira constância. Creia que esta é fervorosa e firme no F. W. Tenho de ir, inseguro quanto ao meu futuro; mas voltarei, ou seguirei o seu grupo, logo que possível. Uma palavra, um olhar será o suficiente para decidir se irei à casa do seu pai esta noite, ou nunca.”

Pessoalmente eu gosto muito mais da versão de 2007 mesmo não sendo tão fiel ao livro quanto a de 1995. Digamos que o casal da versão de 1995 parece um pouco velho né? Anne Elliot é para ter 27 anos de idade e o Capitão Wentworth uns 32 eu acho. Tá certo que naquela época se envelhecia mais cedo, mas mesmo assim é difícil de acreditar que aqueles atores tivessem essa idade. No livro Jane Austen diz que uma moça aos 27 anos já perdeu o frescor e a beleza da juventude, o que me ofenderia pessoalmente já que estou nos meus 27… Eu digo me ofenderia porque graças a Deus hoje em dia existe creme anti-rugas e filtro solar, o que deve garantir que meu rosto fique lisinho por mais alguns anos. Abaixo a foto dos dois casais para comparação…


Até na voz o Wentworth de 2007 ganha do outro, pena que nessa versão eles resumiram a carta e mudaram a maneira como Anne a recebe. Se tivessem sido mais fiéis nessa parte para mim estaria perfeito. Mas o Ciaran Hinds é lindo perto do ator que foi o Wentworth em 1971… dá uma olhada.

Evoluímos muito!