Amor e Inocência

Eu gosto desse filme, tenho na minha coleção de DVD’s e acho que toda fã de Jane Austen deveria assistir, mas… em momento algum eu encaro a história retratada na tela como sendo a vida de Jane Austen. Amor e Inocência; gosto mais do título original – Becoming Jane (não sei o que essa gente que cria os títulos em português tem na cabeça). Existem muitos boatos a respeito da vida amorosa de Jane Austen mas o fato é que nada nunca foi provado, nem mesmo se ela teve algum envolvimento com Tom Lefroy ou com qualquer outro homem, fora Harris Bigg-Wither de quem foi noiva por um dia. O resto é tudo especulação. Quase tudo que sabemos a respeito dela veio das cartas trocadas com a família, principalmente com a irmã Cassandra, mas dizem que ela queimou muitas delas para preservar a privacidade da irmã depois que ela morreu. Também foi escrita uma biografia dela pelo irmão Henry Austen (que eu nunca li), mas duvido que contenha detalhes da vida amorosa dela.

Segundo sites como IMDB e Wikipedia foi feita uma pesquisa extensiva sobre a vida de Jane Austen para o filme e os fatos baseados no livro Becoming Jane Austen de Jon Spence, mas eu não conseguia deixar de pensar enquanto assistia: ‘Eu já não vi isso em algum lugar?’ Algumas similaridades com Orgulho e Preconceito são gritantes demais: ele a insulta e ela toma uma grande antipatia por ele e depois ela vem a se apaixonar. A mãe que quer forçá-la a se casar e até a personagem Lady Gresham é uma cópia de Lady Catherine de Bourgh. Nunca soube que O&P tivesse sido auto-biográfico, mas posso estar enganada. Acredito que as pessoas não se conformam que Jane Austen não tenha casado ou vivido um grande romance apesar de ter escrito uma das histórias de amor mais famosas de todos os tempos, competindo com Romeu e Julieta (com o benefício de ter um final feliz), e tentam criar um passado emocionante para ela. Não é sub-estimar demais as obras de Jane Austen presumindo que ela só teve inspiração para escrevê-las por que viveu algo similar? Que ela criou um Mr. Darcy ou um Capitão Wentworth por causa do tal do Tom Lefroy? No final do filme quando Jane e Lefroy se encontram depois de vinte anos, o filme sugere que ele tenha dado à filha o nome de Jane por causa dela, mas a mãe de Tom Lefroy (o verdadeiro) também se chamava Jane, então no final das contas esse fato pode não ter nenhum significado entre a história dele com Jane Austen.

Colocando de lado a tentativa de fazê-lo a história de Miss Austen, o filme é lindo, linda fotografia e trilha sonora – amo as cenas de dança (me lembram O&P 2005). Adoro a Anne Hathaway (mais recentemente em Amor e Outras Drogas) mas ainda acho que deveriam ter escolhido uma atriz britânica para o papel pois o sotaque dela não convence muito.

Para quem quiser realmente conhecer um pouco da vida de Jane Austen recomendo o filme da BBC Miss Austen Regrets, que é um choque de realidade retratando os últimos anos de vida da escritora.


5 Comentários on “Amor e Inocência”

  1. samara disse:

    Oi Samanta, seu blog tá mais lindo ainda, ameiii… mas falando em amor e inocência, esse foi o 1° contato q tive com jane austen. Amo todas as cenas, ams confesso q em relação a história tbm me sinto frustrada dela não ter se casado e tal. Mas enfim, não importa o q seja verdade ou mentira em relação a sua vida o importante é q ela viveu, e podemos ter o privilegio de ter e ler suas obras, como se fossem nossa própria vida retratada. bjs samanta tá mais lindo ainda o blog!!😉

    • Oi Samara,

      Obrigado, estou tentando personalizar um pouco o visual do blog e acho que ficou bom.
      Eu gosto de Amor e Inocência como um filme de época romântico, e tem muito da Jane Austen dele, a ironia, o humor sarcástico que ela tinha e que transmitia nas páginas dos livros, por isso considero um filme obrigatório para as fãs.
      Acho que ela nunca casou por opção mesmo, devia ser exigente demais talvez.
      Bjus

  2. Tainã disse:

    Oi Samanta, assim como vc sou uma grande fã da Jane Austen. Amo todas as obras dela, e chego até sonhar com algumas rsrsrs. Mas gostaria de saber se vc tem a trilha sonora do filme, na verdade gostaria especialmente da musica em que a Jane dança com o Tom no ultimo baile deles segundo o filme. Se vc puder me ajudar ficarei agradecida.

  3. Magda Amaral disse:

    Assisti a ambos os filmes que você citou.
    Eu acho que nos livros de um escritor sempre tem base em alguma dessas inspirações:
    # um pouco do que ele viveu
    # nada que ele viveu e queria ter vivido algum dia
    # O que ele abomina em sua vida/realidade e portanto, critica em suas obras.
    No caso da Jane Austen, acredito que ela sofreu muito por conta de não ter se casado e a ironia e humor servem de fuga.
    O preconceito com as mulheres escritores e pior, solteironas naquela época era gritante. Acho que ela amou alguém (até porque é impossível nunca sentir atração por alguém em 41 anos de vida), mas as circunstâncias impediram que ela se casasse e as obras dela são um reflexo da realidade que ela presenciou só que sempre ricas em humor, ironia e drama (pitadas de sua personalidade).


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