Um Olhar Britânico

Hoje temos mais um post de uma amiga janeite, Amanda de Luca com colaboração de Alberto Bruno.😉

Oi! Meu nome é Amanda – oi Amanda! – e eu sou uma austenmaníaca. No entanto, eu não vou falar precisamente sobre Jane Austen ou suas obras. Esse post será sobre a atuação dos atores ingleses e, por isso, indiretamente falará sobre a Jane (até porque – e as auntenmaníacas vão me entender – todos os assuntos acabam na Jane). Assistindo a filmes e minisséries britânicas, eu reparei uma coisa interessante: a expressividade, sobretudo do olhar dos atores britânicos. Eu me interesso muito por atuação (inclusive estudo teatro, e, teria feito vestibular para Artes Cênicas se meus pais não tivessem proibido) e, é muito difícil vermos atores aqui no Brasil explorando esse recurso. (Não sei se é um traço cultural ou se temos, em sua maioria, atores fracos mesmo). Talvez por causa dessa “contenção” dos britânicos, dessa fleuma característica deles (British phlegm), eles não demonstram os sentimentos de uma forma tão exacerbada quanto a nossa. E essas demonstrações estão presentes em pequenas sutilezas: um olhar, uma entonação da voz, um suspiro, na forma de respirar, de andar, etc. A impressão que eu tenho é que os atores de lá são mais completos, eles aproveitam mais todos os recursos disponíveis.

O maior exemplo é sem dúvida o Sr. Darcy (o epítome do British phlegm), principalmente na interpretação do Colin Firth em 1995. Apesar de passar 90% do tempo com a expressão impassível, só com os olhos ele conseguia demonstrar os sentimentos da personagem (e como atriz eu garanto: isso é difícil pra caramba!) A cena ÉPICA é a que ele observa a Lizzie em Pemberley e nós podemos ver uma explosão de sentimentos somente no olhar! (Quem não derrete nessa cena?) Falando em Lizzie, a atriz Jennifer Ehle é outra que atua com os olhos. Eu consigo claramente ver o motivo do Sr. Darcy ter ficado fascinado pelos olhos da Lizzie. Ela expressa através dos olhos toda a vivacidade e sagacidade da personagem e você se apaixona primeiro pelo olhar dela e depois pela personalidade.

Em Jane Eyre (2006), a atriz Ruth Wilson fala mais através de seus olhos pela sua expressão do que por palavras. Conseguimos notar claramente o momento em que Jane começa a amar o Sr. Rochester. Parece que ela começa a “brilhar”. A expressão, os olhos, tudo fica mais iluminado. E já que mencionamos o Sr. Rochester, tenho que tirar o meu chapéu para o Toby Stephens (também, filho de ninguém menos que Dame Maggie Smith! A atuação deve estar no sangue!). Ele conseguiu uma coisa um tanto contraditória: ao mesmo tempo em que ele me convencia que estava cego, que mantinha aquele olhar vazio, os olhos dele estavam cheios de sentimentos. Não sei se consigo explicar, ou se vocês estão me entendendo, mas eu achei essa interpretação tão linda! (É a atriz dentro de mim falando).

Antes de gostar do Mr. Rochester

Antes de gostar do Mr. Rochester

Apaixonada pelo Mr. Rochester

Apaixonada pelo Mr. Rochester

Acho essa cena lindíssima. A Ruth (Jane) não fala uma sílaba e no entanto ela expressa todos os sentimentos da personagem

Toby Stephens interpretando o Mr. Rochester cego

E eu só citei as interpretações baseadas nos olhos. Ainda tem outras como a cena em que o Sr. Darcy, no filme de 2005, ajuda a Lizzie a subir na carruagem e as mãos deles se tocam de leve, e depois o Matthew ainda aperta a mão. Essa cena diz tanto sem uma única fala!

No mesmo estilo tem a cena que o Cap. Wentworth coloca a Anne na carruagem, quando ela machuca a perna (2007).

Em North & South quando a Margaret oferece chá ao Sr. Thornton e os dedos deles se roçam quando ele vai pegar a xícara, ou, ainda em N&S, quando a Margaret cumprimenta o John no jantar.

Em Emma (2009) quando a Emma e o Mr. Knightley contando sobre o casamento deles para o Mr. Woodhouse e a câmera foca nas mãos deles dadas.

São cenas belíssimas, que não precisam de uma palavra sequer pra cumprir sua função e nos emocionar!

Mas aí vem a pergunta: esses exemplos todos são méritos dos atores, é fruto de uma boa direção ou já estão indicados no roteiro?

Eu diria que os três. Alberto Bruno, meu professor de teatro, sempre diz que para que o teatro aconteça são necessários 3 elementos fundamentais, essenciais: ator, platéia e texto. Se faltar um desses 3 elementos o espetáculo não acontece. Eu concordo com ele. Porém existe uma ressalva: o roteiro/texto é um guia para o ator, não uma receita. No texto está a vida do espírito da personagem onde um bom ator consegue extrair esse material que foi um dia pensado pelo autor, visualizando o que está por detrás das palavras, fazendo-as sair de seus lábios, com a naturalidade e riqueza de quem as profere naquele exato momento, como fazemos naturalmente na vida. Ao passo que um ator medíocre/mediano por não alcançar essa compreensão da obra, apenas decora o que ali está escrito, vomitando palavras como símbolos mortos. Um ator que fica preso a um roteiro não atua. Nenhum bom roteiro é escrito para engessar a ação da personagem ali representada pelo ator, assim como, nenhum bom ator fica preso a uma marcação do diretor sem complementa-la com graciosidade e harmonia. Já um ator mediano não consegue ver as infinitas formas de atuação nem mesmo em um Hamlet de Shakespeare, ele próprio torna-se refém de suas dificuldades na arte de atuar, a ponto de não conseguir executar com naturalidade uma simples marca dada pelo diretor. Perde toda a criatividade. Meus diretores sempre pedem pra gente oferecer o máximo de material possível pra eles. É em cima desse material que eles “selecionam o que vai usar e o que vai jogar fora”. Então quanto mais elementos o ator usar, mais “escolhas” o diretor vai ter. Um ator talentoso consegue fazer um grande trabalho mesmo com um roteiro ruim ou um mal diretor. Mas não adianta nada ter um excelente roteiro, se o ator não sabe aproveitá-lo o máximo. E não adianta ter um grande diretor se o mesmo não tem o que dirigir.

Enfim, se eu for citar todas as interpretações, esse post vira um livro. São muitos exemplos, mas quase todas são de atores britânicos o que me faz pensar que deve haver uma certa linha de estudo e ensino nessa área nas escolas de atuação inglesas.


39 Comentários on “Um Olhar Britânico”

  1. Vania disse:

    Adorei todas as colocações, e tudo ocorre exatamente assim.
    Os olhares, as mãos entrelaçadas (aquele de Mr Darcy após ajudar Lizzie na carruagem..), a família Bennet que tem por costume levar a mão ao rosto sempre que ouvem uma notícia…Tudo isso nos remete à uma época em que não se precisavam palavras para expressar tudo o que se sentia.
    Postagem belíssima!

    • Amanda disse:

      Obrigada Vania!
      Realmente é uma questão de historicidade, mas podemos observar isso em produções contemporâneas também. Acho que é um traço da atuação inglesa e que deveria ser incorporado pelas escolas dos outros lugares. A atuação fica muito mais rica.
      Beijos

  2. Deborah disse:

    Oi Amanda!
    Adorei o post. Acho lindo como eles se comunicam com pequenos gestos. Nas produções brasileiras, por vezes vemos grandes gestos e pouca emoção, enquanto os ingleses, apesar de mais contidos, conseguem transmitir, com um olhar ou um simples toque, o turbilhão de emoções que sentem por dentro.
    O que é o olhar do Mr. Darcy caminhando em direção a Elizabeth na névoa??? ahhhhhh! (I’m having a MM day. Actually, a MM year)
    Beijos

    • Amanda disse:

      Eu também acho lindo Deborah (como espectadora e como atriz). É uma pena que aqui falte esse tipo de interpretação. É muito mais bonito expressar as emoções através dessas sutilezas do que através de gestos grandes e vazios.
      Essa cena da névoa é linda também! Aliás eu consigo pensar em várias outras, mas aí ficaria muito grande pra um post. O legal é a gente ir assistindo e percebendo isso.

      I think a MM life is better than a MM year or day!
      Beijos

      PS: Estou adorando os seus posts também!!!

      • Deborah disse:

        MM life… I like that! Sortuda da Keeley que pode dizer isso e ainda tirar proveito, a gente só sonha…

        Que bom que vc está gostando dos meus posts. O próximo vai ser sobre Lyme, já que eu estou tendo Persuasion feelings🙂

        Beijos!

      • Amanda disse:

        Lyme…
        Agora que vc falou eu estou louca pra ler esse post!!! Quero muito ir pra Lyme! Quem sabe eu não encontro um Cap. Wentworth lá! (Se bem que do jeito que as coisas estão eu me contento com um Benwick!)
        A Keleey é mesmo muito sortuda!
        Beijos

  3. sueli disse:

    Concordo plenamente com você!! Essa foi sempre a sensação que tive, que os atores britânicos são mais completos!! É só você pegar as versões de Jane Eyre americanas para entender perfeitamente isso.

    Gosto muito de Jane Austen e tenho como os meus filmes preferidos Orgulho e Preconceito com Colin Firth e Persuasão com Ciaran Hinds. (apesar de ter todos os livros, filmes e versões possíveis), mas acho que me identifico mais com as irmãs Bronte, Adoro Jane Eyre e Morro dos Ventos Uivantes (acho o Ralph Fiennes um bom exemplo da atuação q você fala).

    Mas o que quero dizer mesmo é que no meu ranking a melhor atuação que ví foi a de Richard Armitage como Mr. Thorton em North&South. Se o assunto são olhares, os dele são de matar!!😉

    • Amanda disse:

      Ai Sueli!
      Nem me lembre dos olhares fatais do Richard! Aquele homem é perfeito!!!!
      Também adoro o Ralph como Heathcliff. O Morro Dos Ventos Uivantes é um dos meus livros favoritos, mas até hoje eu não vi nenhuma versão que me deixasse satisfeita. A melhor é essa de 92 com o Ralph, mas eu sinto que ainda falta alguma coisa.
      Pra mim os atores britânicos são os melhores do mundo!
      Beijos

  4. Luciana disse:

    Amei a postagem e muitas fãs precisam ler o que você escreveu, pois não tem como não concordar.

    Sempre achei os atores ingleses mais preparados que os americanos, com uma bagagem de estudo maior, entre outras qualidades.

    Concordo com a Sueli, quando ela cita o Ralph Fiennes, que é sensacional! Aquele olhar dele diz tudo e um pouco mais, curto todos os seus trabalhos.

    E quanto aos nossos mocinhos austenianos, eles conseguem se expressar com o olhar muito mais do que é pedido no roteiro.

    Amanda, que seja a 1º de muitas postagens sua aqui no blog.🙂

    • Amanda disse:

      Oi Luciana!
      Que bom que você gostou do post!
      Eu acho que os ingleses são os melhores atores. Se você reparar TODOS (não só os grandes ou mais famosos) são talentosos. Meu sonho é estudar atuação lá. Quem sabe um dia!
      Também espero fazer mais posts. Eu sempre amei o blog da Samanta e eu adorei participar! Também estou amando os posts da Deborah!
      Beijos

      • Luciana disse:

        Procure se informar sobre bolsas de estudos para lá, quem sabe pode está mais perto do que longe de vc realizar este sonho.

        Os posts da Deborah nos deixam com os olhos brilhando, pois sonhamos em visitar os mesmos lugares que ela visitou.

        Bjs

      • Amanda disse:

        As bolsas são muito difíceis. Geralmente só existem para quem faz algum curso tipo engenharia essas coisas, para as artes nunca tem nada!
        Eu e a Deborah estamos sonhando em ir ao Festival da Jane Austen no ano que vem, quando P&P tiver fazendo 200 anos!
        Quem sabe a gente não combina isso melhor e vamos todas pra lá?
        Beijos

  5. claudia garcia moura disse:

    Oi Amanda
    Maravilhoso!!!É o que eu posso dizer deste post.Concordo com você,a escola britânica é muito boa,senão a melhor.E tem atrizes brilhantes como a Kristin Scott Thomas,Emma Thompson,a própria Keira Knightley.Pena que não é mais difundido aqui,pois as series da BBC são apaixonantes.Amo O&P,é minha obra preferida,e já havia percebido as nuanças que você falou da serie de 95.Como não se apaixonar pelo Sr Darcy!?Amo-o tanto pela intensidade do Colin(jesus,me abana)como pela delicadeza e romantismo do Matthew(jesus,me abana)KKKK.
    Agradeço a você,Amanda pelo post,um olhar de dentro é sempre bem vindo.
    E a Samanta pela iniciativa,tanto pelos posts da Deborah,que estão sensacionais,quanto este da Amanda,a novidade é muito bem vinda!Bjus a todas

    • Amanda disse:

      Oi Claudia!
      Obrigada, fico muito feliz que você tenha gostado! Acho que o Sr. Darcy (seja o Colin ou o Matthew) é unanimidade aqui!rsrsrsrs
      Eu também estou amando os posts da Deborah. O legal do blog da Samanta é justamente essa diversidade. Os posts são muito divertidos e interessantes e não falam só sobre O&P ou Jane Austen, mas de tudo que abrange esse universo: os atores, adaptações, os livros, fanfics, etc.
      Espero poder colaborar mais vezes!
      Beijos,
      Amanda

  6. Adorei seu post Amanda. Já tinha pensado nisso e você colocou muito bem a questão e melhor ainda seus exemplos. Só discordo do fato de não termos atores da mesma categoria no Brasil. Eu não sei como as coisas andam hoje, nesse tempo de BBB e já não vejo obras dramatúrgicas brasileiras há 10 anos, desde que mudei pra cá. Mas quando eu tinha a sua idade bastava ligar a telinha pra ver atuações fenomenais. A receita básica do teatro = ator + texto + platéia é correta pra qualquer peça, inclusive as ruins. O bom teatro, o bom espetáculo necessita do diretor (na minha opinião faz toda a diferença). Não estou desmerecendo o ator, mas o diretor inspira, guia, deixa o ator criar, acrescenta e edita criando a versão final e mais polida, exigindo mais do ator. O bom diretor, claro, deve trazer a tona à tona a essência mais pura de cada ator e no caso do cinema usar o olhar da câmera para aumentar a emoção realçando o detalhe de um olhar e uma mão. Deu pra sentir que eu gostaria de ter feito cinema? Hahahaha! Por vários motivos acabei desistindo desse sonho mas gostaria de colocar ”meus dois centavos” aqui pra você. Um beijo, Amanda, continue com essa paixão que você vai emocionar muita gente.

    • Amanda disse:

      Oi Rita!
      Obrigada pelo comentário! Só pra esclarecer eu jamais disse que nós não temos bons atores aqui. Quem sou eu pra desmerecer uma Fernanda Montenegro, uma Marília Pêra, um Paulo Autran e tantos outros. Você verá nas séries que eu estou te enviando que temos sim grandes atores. Principalmente os com formação teatral (como os que eu citei). O que eu quis dizer é que mesmo essas feras mencionadas não usam esses recursos que qualquer ator inglês do iniciante até a Maggie Smith ou a Judi Dench usam. E isso não faz deles menos atores. É que nós não nos fixamos nisso. Não é um traço nosso (como povo e como espectador). O brasileiro gosta dos gestos grandes, dos gritos, dos barracos e isso é legal também. A única crítica que eu faço é que, por isso, os nossos atores não “aprendem a serem sutis”. Não sei se consegui me explicar. Quanto ao diretor, eu concordo plenamente. A atuação é um tripé. Ele pode até se sustentar sem uma das 3 pernas, mas ele fica bambo.
      Quem sabe você ainda não resgata o seu sonho de ser cineasta e não me dirige em um filme?
      Beijos,
      Amanda.

  7. Sandra Cabral disse:

    Amei o post da Amanda delicado e bem feito e também os post da Viagen da Debora…que bons ventos ingleses estão soprando forte por aqui quero ser carregada por esses ventos …igual a pipa no céu rsrsr
    Samanta um beijo parabéns pela sua generosidade em compartilhar seu espaço, todas saimos ganhado!
    tudo de melhor pra você!

    • Amanda disse:

      Obrigada Sandra!
      Que bom que você gostou do post! Os posts da Deborah também estão MARA! Ela descreve de um jeito bem divertido e parece que a gente também esteve lá!rsrsrsrs
      Se você for carregada por esses ventos, desvie o percurso e passe aqui em casa pra eu também ser carregada!
      Beijos,
      Amanda

  8. Flavia Oliveira disse:

    Você foi precisa,conhecedora e sagaz.Parabéns Amanda.

  9. sueli disse:

    Fico triste somente com a dificuldade que temos aqui no Brasil de ter acesso a essas ótimas produções da BBC. Muitas vezes nem mesmo achamos os livros qto mais os DVDs!! Nesse aspecto acho o povo Inglês muito priveligiado!

    Concordo com você Amanda, nenhuma adaptação do Morro faz jus ao livro, mas a de 92 chega bem perto e a atuação do Ralph Fiennes compensa algumas falhas da adaptação. Indico o filme “Onegin” com ele.

    Agora estou ansiosa esperando meu livro Norte e Sul chegar!! Adoro esse universo dos livros e filmes de época.

    E adoro este blog também!!

    • Amanda disse:

      Não precisa nem ir tão longe Sueli. Muitas vezes é difícil até encontrarmos os nosso clássicos (A Moreninha, Dom Casmurro, O Tempo E O Vento, etc) quanto mais os estrangeiros. Essa é outra crítica que eu tenho. Infelizmente o brasileiro está mais preocupado com quem vai sair do Big Brother do que em ler um bom livro ou assistir uma adaptação de um clássico. A Globo (apesar de errar em muitas coisas) fazia excelentes minisséries: A Muralha, O Tempo E O Vento, O Primo Basílio, Os Maias, A Casa Das 7 Mulheres, etc. Todas baseadas em grandes livros da língua portuguesa. Há quanto tempo não vemos um produto dessa qualidade por aqui? Até as novelas, que são a nossa marca registrada estão indo de mal a pior. E o pior de tudo: no outro dia eu comprei a minissérie A Muralha e descobri que dos 52 capítulos que ela teve originalmente, eles editaram para 10 para o DVD. Um absurdo! 80% da série foi jogado fora. O mesmo se passou com a A Casa das 7 Mulheres.
      A BBC faz essas adaptações porque os ingleses valorizam. Eles dão audiência. Eles tem orgulho da própria cultura. Mas até do que aprendermos as técnicas de atuação com eles, primeiramente devemos aprender a respeitar a nossa cultura como eles respeita a deles.

  10. ester disse:

    esses pequenos gestos na atuação ,sempre me deixaram fascinada, eu li esse post com as bochechas cor-de-rosa, só nós garotas austinianas, é que sabemos o que é bom, eu sei que parece bobo ,mas eles conseguem expressar meus sentimentos, esses sinais de amor tão singelos.
    minha cena favorita de O&P é justamente , a cena das mãos , no começo era principalmente para ver ele (MD) estralar a mão,MAS DEPOIS EU REPAREI, O POLEGAR, sabe ele não precisa abaixar o polegar ,mas ele faz, ele faz só para tocar um pouquinho mais nela, ele não quer mas simplesmente não consegue resistir…..
    só mister darcy pra me fazer uma coisas dessa repetir uma cena mil vezes por causa de certo polegar…

    • Amanda disse:

      Oi Ester!
      Realmente são detalhes que muitas vezes passam sem serem notados, mas que no conjunto fazem toda a diferença. Às vezes eu fico pensando: “Como eles pensaram nisso?”. O legal é que cada vez que você assiste, você repara em uma coisa diferente.
      O Mr. Darcy tem todo poder sobre nós! rsrsrsrsrs No dvd do filme, quando vc coloca pra selecionar o idoma (se eu não me engano) aparece aquela cena dele caminhando na nossa direção ao amanhecer e eu fico demorando pra selecionar o idioma só pra ficar vendo essa cena umas 10000000000 vezes! Acho que todas aqui tem um hábito “estranho” desses! Não se preocupe pq a gente te entende!
      Beijos

  11. sueli disse:

    Amanda,

    Você tocou na ferida!! somos nós como espectadores que acabamos engolindo qualquer porcaria que passa na televisão…Não me conformo com a audiência que tem esse tal de BBB!!! E me pergunto porque a Globo parou de fazer estas mini séries? deve ser pelo custo e baixa audiência!(acho eu). A maioria do povo brasileiro (e me corrija se eu estiver errada), não liga para coisas culturais, não valoriza o que temos de melhor! O negócio aqui é pegação e bastante sacanagem! Por isso admiro o povo inglês, eles realmente valorizam os seus clássicos a tal ponto de existir várias adaptações de uma mesma história.E também tenho a impressão que o teatro lá é muito mais valorizado, difícil o ator britânico que não tenha também essa formação. Aqui eu tenho a impressão que qquer um virá ator…é só ganhar o BBB!!kk (momento revolta)😦

    Mas mudando de assunto, já estou na metade do livro Norte e Sul…..até agora tenho achado a mini série melhor que o livro (que é até certo ponto meio cansativo)…algumas ressalvas para trechos em que Mr. Thornton revela seus sentimentos…nesse aspecto poderiam até ter deixado o Armitage caprichar um pouquinho mais!!😉 Depois que minha “paixão” por Norte e Sul abrandar, minha próxima missão é assistir novamente O&P e reparar melhor em tudo que já foi dito aqui!!🙂

    Beijos

    • Amanda disse:

      Exatamante Sueli!
      Se você pegar o “currículo” de qualquer ator britânico você vai ver inúmeros trabalhos no teatro. Aqui temos essa mania de achar que ser ator é aparecer na televisão. Um ator deve ter a formação mais completa possível e, na minha opinião, a mesma é adquirida no teatro. Quem faz teatro, faz cinema, TV, qualquer coisa. Já o contrário não acontece. É só você pegar os nossos grandes atores: Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Paulo Autran, etc, todos fazem/fizeram teatro.
      Quanto ao BBB eu nem vou perder meu tempo comentando. Sinceramente nessas horas eu tenho vergonha de ser brasileira. O brasileiro acha que o nosso único motivo de orgulho é o futebol. Antes de me orgulhar da seleção, eu me orgulho do Machado de Assis, do Álvares de Azevedo, do Drummond, do Bilac, do Mário de Andrade, do Nelson Gonçalves, da Tarsila do Amaral, da Anita Malfatti, do Vinícius, do Tom Jobim e tantos outros grandes brasileiros que infelizmente a maioria do povo nunca ouviu falar.
      Beijos

  12. Margareth disse:

    Amanda, ler seu texto foi como deitar a cabeça num daqueles travesseiros velhinhos e confortáveis, que encaixam perfeitamente em todas a reentrãncias e protuberâncias da nossa cabeça. Perfeito!

    Essa coisa dos olhos são realmente um diferencial dos atores britânicos. Não sei se porque todos eles tem um background shakesperiano, que obriga o ator a pensar na sutilezas do texto e em todos os seus sentimentos fervilhantes e subjacentes.

    Assisto e reassisto interminavelmente às cenas “de olhos”, porque eles me hipnotizam.
    O piscar dos olhos de MM na cena da segunda proposta de Darcy em P&P de 2005 – I love, love, love you… – e a incredulidade feliz do olhar de RPJ quando Wentworth se dá conta de que Anne é livre, em Persuasion de 2007 estão entre os meus momentos mais queridos dos filmes.

    Mas aqueles profundos e cristalinos olhos azuis que só os britânicos conseguem ter também são mesmerizantes…

    • Amanda disse:

      Oi Margareth!
      Fico feliz que você tenha gostado do texto. Essas cenas que você citou são maravilhosas também. O legal é que cada pessoa que lê associa uma cena diferente, o que só reafirma que essa é uma característica da atuação britânica.
      Beijos!

  13. Margareth disse:

    Ah! Outra coisinha – os atores e atrizes britânicos são tão bons que não precisam ter aquele tipo de beleza “caixa de chocolate” que vemos grassar por essas bandas e pelas de Hollywood. Ficamos tão profundamente impressionadas por eles e sua beleza interior – ou a beleza/riqueza de sentimentos que conseguem imprimir em seus personagens – que um nariz não exatamente perfeito, ou uma pele marcada, um físico não exatamente modelado, são prontamente relegados à sua insignificância.

    Ou alguém pode se queixar da escolha de Ciàran Hinds e Amanda Root para Persuasion de 1995?

    • sueli disse:

      Muito bem colocado Margareth!!!! Impressionante como todos eles ficam belos aos nossos olhos!!!

      • Amanda disse:

        Eu também acho isso. Você não vê nenhum Deus grego nas adaptações. Mesmo amando o Richard, o Matthew, o Colin, o Rupert, o Toby, etc (tem tantos) eles não são as maiores belezas do mundo. Mas a gente gosta deles pelas outras qualidades. O MM tem aqueles olhos azuis maravilhosos. O Toby tem um sorriso lindo (eu amo o sorriso dele). Do Richard eu amo a voz. O Colin tem um charme, um porte que você se apaixona (o próprio Mr. Darcy), etc. É claro que eles também têm outras qualidades além dessas, mas se você pegar o conjunto eles não tem aquela beleza holliwoodiana. E também os personagens ajudam a gente a gostar deles.

      • sueli disse:

        Realmente a peça fundamental são os personagens! Na realidade (pelo menos para mim) nos apaixonamos pelo personagem e consequentemente pelo ator. A menos que ele faça um péssimo trabalho….e vou dar um exemplo de como a adaptação e direção podem estragar uma atuação…..Adoro o Ciaran Hinds em Persuasão…..agora me mostra uma pessoa que goste dele como Mr. Rochester? eu particularmente não conheço!!kkk

        Amanda eu concordo com você, cada um deles tem algo especial…..mas do Armitage eu gosto da voz, do rosto e do resto!!!kkk🙂

        Grande decepção com o Livro Norte e Sul…..não que o livro não seja bom mas na minha opinião a mine serie melhorou o livro!! Dá uma sensação de vazio não encontrar quase nenhuma cena que gostei no livro!😦

      • Margareth disse:

        Mas a gente te que lembrar, Sueli, que Mr. Rochester não era um homem bonito,

        Conforme a própria Jane – Eu reconheci meu viajante pelas suas grossas sobrancelhas negras. Sua testa quadrada, ainda mais quadrada pela forma de seu cabelo. Reconheci o nariz forte, mais marcante pela personalidade que pela beleza, com suas narinas largas, que, a meu ver, denotavam um espírito colérico. Sua boca, tão sombria quanto seu queixo e sua mandíbula. Seu torso, agora despojado do manto, me pareceu tão quadrado quanto sua cabeça. Creio, contudo, que tinha boa figura, no sentido atlético da palavra, peito largo e flancos estreitos, ainda que não fosse alto nem gracioso.

        Acho que o Toby Stephens e o Michael Fassbender meio que bonitos/elegantes demais para ser o Rochester.

        Eu gosto muito daquela versão do filme, porque A jane é bem jovem, como no livro, enquanto Rochester já tinha passado dos 40. Mas o que eu realmente me atrai, apesar do roteiro passar longe de ser fiel ao texto original, é que foi dada ao filme aquela qualidade passional, que sempre me pareceu o cerne do relacionamento dos dois, desde que eu li o livro pela primeira vez, aos 11 ou 12 anos. Fiquei profundamente impressionada com a turbulência da paixão que fervilhava entre duas pessoas tão carentes de atrativos físicos.

        Em resumo, eu adoro o Ciàran Hinds como Rochester e sou absolutamente fã da Samantha Morton como Jane Eyre. Posso ser a única… =D

  14. sueli disse:

    Margareth,

    Eu talvez não tenha me expressado bem! Eu gosto bastante do Ciaran e fisicamente acho que ele caiu bem no papel de Mr. Rochester, mas achei a adaptação muito mal feita (apesar dela não ser a única, sou meio chata com aquilo que não seja fiel ao original). Achei a atuação dele muito exagerada.
    A minha versão preferida é a de 1973 com o Michael Jayston e ele não é nada bonito, mas a adaptação é tão fiel ao livro e tão bem feita.
    Mas eu fico feliz de conhecer alguém que aprecie esta versão!! e também sei que você não deve ser a única!! Graças a Deus temos Mr. Rochesters para todos os gostos!!! Não fique brava comigo!!;)
    Vc já assistiu o Prefeito de Casterbridge com o Ciaran?

    • Amanda disse:

      A minha adaptação favorita era a de 1944 com o Orson Welles e a Joan Fontaine, mas depois que eu vi a minissérie de 2006 com a Ruth Wilson e o Toby Stephens eu me apaixonei pela adaptação. Eu acho ela fiel ao livro, tem aquela paixão que a Margareth citou e como eu já falei no post tem as atuações maravilhosas dos dois. (Não que o Orson, a Joan, o Ciaran e Samantha não sejam ótimos atores tb)

    • Margareth disse:

      Oi, Sueli! Com certeza não vamos “brigar” por causa disso, não é? O importante é que há adaptações para todos os gostos!🙂
      Não assisti Prefeito de Casterbridge ainda não, porque gosto de ler o livro primeiro. Quando soube do filme, procurei o livro em todo lugar, mas não achei uma versão em português. Infelizmente, meu inglês não é bom o suficiente para dar conta de Thomas Hardy…

  15. sueli disse:

    Amanda!

    o legal desse universo dos romances de época é justamente isso, tem para todos os gostos!!!e todo mundo fica feliz com os seus “heróis” preferidos!!😉

    Vide o seu video do youtube “its raining man” (òtimo)

    Bjs
    Su

  16. Bruna disse:

    Caramba, que universo é esse de Jane Austen?? Confesso que fiquei abismada com todas as fanfics, os blogs (esse em especial, muito especial), livros, homenagens, enfim tudo. Depois de assistir Orgulho e Preconceito – 2005, me apaixonar por Matthew Macfadyen, assistir o seriado com o Colin Firth e seus olhares cheios de paixão (sempre lendo o livro nesses intervalos), ficar órfã de O&P foi complicado. Mas eu encontrei esse blog para sanar minha fome… e ainda me abrir esse leque de filmes maravilhosos com atuações e enredos incríveis (Esses ingleses são demais). E realmente foi a paixão pelo personagem e consequentemente pelo ator que me trouxe a esse mundo de Jane Austen. Post perfeito, pois falando por O&P, me derreti com as interpretações, nesses detalhes de mãos por exemplo. Desculpa o comentário de iniciante mas eu precisava parabeniza-las.

  17. Diemy disse:

    Eu já tive oportunidade de viver em Inglaterra e isso permitiu-me interagir com vários britânicos. A sua postura é fria e distante, até mesmo quando são acolhedores, simpáticos e nos tentam divertir. Mas é verdade que falam também muito com o olhar e a expressão corporal. Durante o tempo em que estive lá, eu e a minha melhor amiga partilhávamos casa com um inglês e, apesar de não interargirmos muito, conseguíamos dialogar apenas usando o silêncio. Coisa estranha, não é? Nós conseguíamos perceber o que ele sentia ou estava a pensar apenas olhando-o e vendo a sua postura. Não é tanto o que eles dizem mas como o dizem. Hoje em dia, os homens britânicos têm muito pouco de gentlemen mas isso também não é o que está a ser discutido no post.
    Eu creio que a forma de actuar dos actores britânicos vem da sua longa história no teatro. Concordo com o que foi dito sobre o roteiro e os actores. Eu acho que acrescentando a isso e à beleza dos olhares e gestos que demonstram tão bem, a regra da contenção, isto é, naquela época as pessoas não podiam ser tão expressivas ou tomar a iniciativa como actualmente o fazem. Era nos pequenos gestos, nos olhares, nas palavras e nas acções que se iam declarando umas às outras. O maior contacto era na dança! Daí darem tanta importância a esta. Um pequeno toque podia ser mal interpretado e causar todo o tipo de rumores. Só posso agradecer aos realizadores e actores por aproveitarem estas “pequenas coisas” do Passado tão bem. Talvez até esteja a dizer asneiras mas… bom, é apenas a minha humilde opinião.🙂


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