Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Winchester

Visitar Winchester foi uma experiência bittersweet. A cidade é relativamente grande a agitada, mas não fui lá pelas compras ou pelo agito. Minha visita à cidade era para ver a Jane. Ou melhor, ver o lugar de descanso da Jane, seu túmulo, na Winchester Cathedral.

Chegando à cidade, foi fácil encontrar a belíssima catedral que, pasmem, tem mais de 900 anos, pois é uma das principais atrações turísticas da cidade. Os jardins da catedral são lindos e só melhoram a experiência de estar lá.

A catedral é enorme, e é um daqueles lugares que fazem com que a gente se sinta insignificante de tão pequenos. Sem dúvida, valeria a visita mesmo sem as relações com a Jane.

Dentro da catedral havia uma pequena exposição sobre a vida da Jane e as relações dela com a cidade de Winchester. Eu, como boa fã, fui ler todas as informações disponíveis antes mesmo de procurar o túmulo da amada escritora.

No dia 24 de maio de 1817, Jane disse adeus a sua mãe em Chawton, e ela e Cassandra dirigiram as 16 milhas até Winchester sob chuva forte. Havia bons médicos em Winchester e elas tinham esperança de que sua desconhecida doença pudesse ser curada. Elas ficaram em acomodações confortáveis perto da Catedral, na casa da Sra. David, na College Street, número 8, onde Cassandra foi sua enfermeira.

Até hoje não se sabe qual era sua doença, talvez doença de Addison, que afeta a glândula adrenal, talvez câncer do sangue, talvez tuberculose. “Os médicos não podiam fazer nada por ela e logo ficou claro que ela estava morrendo.”

Enquanto eu lia os pôsteres sobre a vida da Jane, nem tinha me dado conta de em que parte da catedral estava. De repente, senti um daqueles arrepios frios que uma vez ouvi que eram indicação de que algum espírito estava por perto. Nesse momento, olhei para baixo e eu estava em cima do túmulo da Jane. Sei que pode parecer besteira, nem sei se eu acredito nessas coisas, mas gosto de pensar que ela estava lá, naquele momento, junto comigo. Possivelmente seja besteira da minha parte (ou tenha sido outro fantasma rodeando a catedral), mas me senti muito próxima a alguém que morreu há quase 200 anos e cujas histórias fazem do mundo um lugar melhor. Foi bem emocionante finalmente ver o túmulo e, com os olhos marejados, li o epitáfio e rezei para a Jane, agradecendo ela por simplesmente ter existido.

In Memory of JANE AUSTEN, youngest daughter of the late Revd GEORGE AUSTEN, formerly Rector of Steventon in this County She departed this Life on the 18th of July1817, aged 41, after a long illness supported with the patience and hopes of a Christian.

The benevolence of her heart, the sweetness of her temper, and the extraordinary endowments of her mind obtained the regard of all who knew her and the warmest love of her intimate connections.

Their grief is in proportion to their affection they know their loss to be irreparable, but in their deepest affliction they are consoled by a firm though humble hope that her charity, devotion, faith and purity have rendered her soul acceptable in the sight of her REDEEMER.”

Em português:

Em memória de JANE AUSTEN, filha mais nova do falecido Rev. GEORGE AUSTEN, ex-pároco de Steventon, neste Condado. Deixou a vida aos 18 de julho de 1817, aos 41 anos, após longa enfermidade suportada com a paciência e as esperanças de um cristão.

A benevolência de seu coração, a doçura de seu temperamento, os extraordinários dotes de seu espírito granjearam a consideração de todos os que a conheceram e o mais cálido amor daqueles que lhe eram íntimos. Destes, o pesar será tão grande quanto seu afeto, sabendo que a perda é irreparável, mas em sua aflição mais profunda sentem-se consolados pela firme embora humilde esperança de que a sua caridade, devoção, fé e pureza terão tornado sua alma aceitável aos olhos de seu REDENTOR.

Ao lado desse epitáfio, que como vocês devem ter percebido não menciona que Jane foi uma escritora, há um memorial comissionado pelo sobrinho da Jane, James Edward Austen-Leigh, e pago com o lucro derivado da primeira biografia da escritora, que menciona a fama de Jane como escritora.

Jane Austen

Known to many be hew writings, endeared to her family by the varied charms of ther character and ennobled by Christian faith and piety. Was born at Steventon in the county of Hants Dez, XVI MDCCLXXV, and buried in this Cathedral July XXIV MDCCCXVII.

 ‘She openth her mouth with wisdom and in her tongue is the law of kindness’ Prov. XXXI v. 26”

 Em português:

 “JANE AUSTEN,

 Por muitos conhecida pelos seus escritos, querida de sua família pelos múltiplos encantos de seu Caráter e enobrecida pela fé e piedade cristãs, nascida em Steventon, no condado de Hants Dez. XVI MDCCLXXV e enterrada nesta Catedral Julho XXIV MDCCCXVII.

Abriu a boca com sabedoria e a lei da clemência estava em sua língua.’”
Prov. XXXI v. 26”

Depois de muitas emoções e uma decepção (a idiota que vos fala se esqueceu de levar flores para a Jane – fica para a próxima), fui em direção da casa onde a Jane passou seus últimos dias. É, pelo visto as emoções do dia ainda não tinham acabado…

Mais alguém ficou triste lendo essa plaquinha que marca a presença da Jane, vivendo seus últimos dias, em Winchester?

 Apesar de uma viagem um tanto melancólica, Winchester é uma linda cidade que vale a pena ser visitada. A primeira visita ao túmulo da Jane vai ser para sempre inesquecível e eu espero poder visitá-la mais vezes.

 Para quem quiser saber mais sobre Winchester e as outras atrações da cidade não mencionadas por mim, visite: http://www.visitwinchester.co.uk/

 Até o próximo (e último dessa série) post!

Deborah

 P.S.: algumas das fotos utilizadas nesse post não são minhas, pois as minhas ficaram tão ruins que eu resolvi não usá-las aqui.

 

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20 Comentários on “Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Winchester”

  1. Luciana disse:

    Post emocionante Deborah, pois a Jane é tão querida e amada pelos fãs e para mim ela é atemporal.

    Uma linda homenagem que os fãs fazem ao visitar esta linda cidade.

    • Deborah disse:

      Com certeza a Jane é atemporal. As obras dela ainda vivem, cada vez mais fortes. Ela escreveu sobre pessoas, e pessoas sempre tem os mesmos sentimentos e medos, por isso ela é eterna.

  2. Ain Déborah!!!
    Eu estou chorando aqui!!!
    Muito lindo esse post. Quero muito visitar a Jane no ano que vem!

  3. Deborah agradeço a vc por nos agraciar com a descrição de suas viagens. Ainda estou com lágrimas nos olhos imaginado a grande emoção que vc sentiu. Só de pensar em estar no seu lugar, visitando todos esses lugares maravilhosos, em especial essa catedral, com a Jane assim tão perto é quase como respirar a própria história, senti-la correndo nas veias.
    Mas uma vez obrigada por compartilhar conosco suas esperiências.

    • Deborah disse:

      Ana Cláudia, fico feliz de poder compartilhar o que eu senti e vivi com vcs. Espero que um dia vc possa viver todas essas coisas pessoalmente – não esquece de contar a experiência depois 😉
      Beijos

  4. Sandra Cabral disse:

    Deborah
    Lindo post…mas nao quero acreditar que vai acabar! foi uma sequencia de posts maravilhosos buaaaa eu quero mais!

    • Deborah disse:

      Obrigada, Sandra!
      Acho que ao invés de mais um, vai ter mais dois posts sobre as minhas “aventuras” 😀
      Fico feliz de saber que vc gostou!!
      Beijos

  5. Gabriela disse:

    Então, quero minha passagens já…

  6. lucienne machado disse:

    Que lindo post Deborah,tão cheio de sensibilidade, muito emocionante! Obrigada mais uma vez por dividir aqui com a gente.Fiquei bastante comovida e morrendo ainda mais de vontade de visitar todos esses lugares!

    E como a Sandra, na torcida para que vc vá criando mais e mais´posts!!! hehehe Bjos meninas!

    • Deborah disse:

      Obrigada por ler, Lucienne. Fico super feliz de saber que consigo transmitir um pouco do que eu vivi e compartilhar isso com vocês. Espero que você possa logo ir visitar esses lugares lindos – eu sei que eu já quero retornar!

      Ah, eu vou continuar fazendo posts para o site da Samanta até ela dizer que não tem mais saco para postar o que eu escrevo 😛
      Beijos

  7. Winchester foi o meu lugar favorito nesta última viagem! Eu estive lá em um domingo de sol! Muita gente nas ruas…. a cidade é muito fofa!

  8. Deborath disse:

    Oi Deborah! (chará rsrs) Todos os seus posts foram ótimos. Mas fiquei com curiosidade pra saber como é o povo inglês. Eles são simpáticos, te trataram bem ou foram frios? Ouvi dizer que também tem aquilo do preconceito com os latinos, ainda mais em paises europeus. Como foi? Bjs e continue com o trabalho se possível 😉

    • Deborah disse:

      Oi Deborath!

      A experiência que eu tive com os ingleses foi boa. Eles são extremamente educados e gentis, sempre dispostos a te ajudar e te dar informações. Sempre fui extremamente bem tratada – frieza não é sinônimo de falta de educação, felizmente. Acho que essa coisa do preconceito com não-europeus existe, mas não em todo lugar e eu tive sorte de encontrar gente muito legal.

      Obrigada por ler os posts 😀
      Beijos

  9. Mary disse:

    Oi Samanta,
    Queria uma dica sua, vou para Londres em setembro, mas vai ser uma estada curtinha… acho que da para sair da cidade por um dia para ver alguma coisa ligada a Jane Austen, o que vc recomenda como sendo a digamos “atraçao” imperdível? Obrigada!!

  10. Juliannna disse:

    Um dia levarei Lilases para ela. Jane,querida.

  11. Amélia disse:

    Olá Deborah!

    Achei seu post procurando em como chegar a Chawton, achei tudo maravilhoso! E já coloquei o blog como favorito, bem vou para Londres em julho passar 15 dias e gostaria de pedir uma dica de viagem, quanto eu gastaria de trem e ônibus para ir para cada lugar ? (mais ou menos tá bom) acredito que com 15 dias se eu conseguir ir em duas ou três cidades e já ficaria muito feliz, inicialmente eu pretendia ir para Chawton com certeza mas seu roteiro de viagem é maravilhoso e seria um sonho poder fazê-lo todo. Grata!

  12. Diemy disse:

    Um lindo post! Mais um lugar que terei de visitar quando for novamente a Inglaterra 😀


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