Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Winchester

Visitar Winchester foi uma experiência bittersweet. A cidade é relativamente grande a agitada, mas não fui lá pelas compras ou pelo agito. Minha visita à cidade era para ver a Jane. Ou melhor, ver o lugar de descanso da Jane, seu túmulo, na Winchester Cathedral.

Chegando à cidade, foi fácil encontrar a belíssima catedral que, pasmem, tem mais de 900 anos, pois é uma das principais atrações turísticas da cidade. Os jardins da catedral são lindos e só melhoram a experiência de estar lá.

A catedral é enorme, e é um daqueles lugares que fazem com que a gente se sinta insignificante de tão pequenos. Sem dúvida, valeria a visita mesmo sem as relações com a Jane.

Dentro da catedral havia uma pequena exposição sobre a vida da Jane e as relações dela com a cidade de Winchester. Eu, como boa fã, fui ler todas as informações disponíveis antes mesmo de procurar o túmulo da amada escritora.

No dia 24 de maio de 1817, Jane disse adeus a sua mãe em Chawton, e ela e Cassandra dirigiram as 16 milhas até Winchester sob chuva forte. Havia bons médicos em Winchester e elas tinham esperança de que sua desconhecida doença pudesse ser curada. Elas ficaram em acomodações confortáveis perto da Catedral, na casa da Sra. David, na College Street, número 8, onde Cassandra foi sua enfermeira.

Até hoje não se sabe qual era sua doença, talvez doença de Addison, que afeta a glândula adrenal, talvez câncer do sangue, talvez tuberculose. “Os médicos não podiam fazer nada por ela e logo ficou claro que ela estava morrendo.”

Enquanto eu lia os pôsteres sobre a vida da Jane, nem tinha me dado conta de em que parte da catedral estava. De repente, senti um daqueles arrepios frios que uma vez ouvi que eram indicação de que algum espírito estava por perto. Nesse momento, olhei para baixo e eu estava em cima do túmulo da Jane. Sei que pode parecer besteira, nem sei se eu acredito nessas coisas, mas gosto de pensar que ela estava lá, naquele momento, junto comigo. Possivelmente seja besteira da minha parte (ou tenha sido outro fantasma rodeando a catedral), mas me senti muito próxima a alguém que morreu há quase 200 anos e cujas histórias fazem do mundo um lugar melhor. Foi bem emocionante finalmente ver o túmulo e, com os olhos marejados, li o epitáfio e rezei para a Jane, agradecendo ela por simplesmente ter existido.

In Memory of JANE AUSTEN, youngest daughter of the late Revd GEORGE AUSTEN, formerly Rector of Steventon in this County She departed this Life on the 18th of July1817, aged 41, after a long illness supported with the patience and hopes of a Christian.

The benevolence of her heart, the sweetness of her temper, and the extraordinary endowments of her mind obtained the regard of all who knew her and the warmest love of her intimate connections.

Their grief is in proportion to their affection they know their loss to be irreparable, but in their deepest affliction they are consoled by a firm though humble hope that her charity, devotion, faith and purity have rendered her soul acceptable in the sight of her REDEEMER.”

Em português:

Em memória de JANE AUSTEN, filha mais nova do falecido Rev. GEORGE AUSTEN, ex-pároco de Steventon, neste Condado. Deixou a vida aos 18 de julho de 1817, aos 41 anos, após longa enfermidade suportada com a paciência e as esperanças de um cristão.

A benevolência de seu coração, a doçura de seu temperamento, os extraordinários dotes de seu espírito granjearam a consideração de todos os que a conheceram e o mais cálido amor daqueles que lhe eram íntimos. Destes, o pesar será tão grande quanto seu afeto, sabendo que a perda é irreparável, mas em sua aflição mais profunda sentem-se consolados pela firme embora humilde esperança de que a sua caridade, devoção, fé e pureza terão tornado sua alma aceitável aos olhos de seu REDENTOR.

Ao lado desse epitáfio, que como vocês devem ter percebido não menciona que Jane foi uma escritora, há um memorial comissionado pelo sobrinho da Jane, James Edward Austen-Leigh, e pago com o lucro derivado da primeira biografia da escritora, que menciona a fama de Jane como escritora.

Jane Austen

Known to many be hew writings, endeared to her family by the varied charms of ther character and ennobled by Christian faith and piety. Was born at Steventon in the county of Hants Dez, XVI MDCCLXXV, and buried in this Cathedral July XXIV MDCCCXVII.

 ‘She openth her mouth with wisdom and in her tongue is the law of kindness’ Prov. XXXI v. 26”

 Em português:

 “JANE AUSTEN,

 Por muitos conhecida pelos seus escritos, querida de sua família pelos múltiplos encantos de seu Caráter e enobrecida pela fé e piedade cristãs, nascida em Steventon, no condado de Hants Dez. XVI MDCCLXXV e enterrada nesta Catedral Julho XXIV MDCCCXVII.

Abriu a boca com sabedoria e a lei da clemência estava em sua língua.’”
Prov. XXXI v. 26”

Depois de muitas emoções e uma decepção (a idiota que vos fala se esqueceu de levar flores para a Jane – fica para a próxima), fui em direção da casa onde a Jane passou seus últimos dias. É, pelo visto as emoções do dia ainda não tinham acabado…

Mais alguém ficou triste lendo essa plaquinha que marca a presença da Jane, vivendo seus últimos dias, em Winchester?

 Apesar de uma viagem um tanto melancólica, Winchester é uma linda cidade que vale a pena ser visitada. A primeira visita ao túmulo da Jane vai ser para sempre inesquecível e eu espero poder visitá-la mais vezes.

 Para quem quiser saber mais sobre Winchester e as outras atrações da cidade não mencionadas por mim, visite: http://www.visitwinchester.co.uk/

 Até o próximo (e último dessa série) post!

Deborah

 P.S.: algumas das fotos utilizadas nesse post não são minhas, pois as minhas ficaram tão ruins que eu resolvi não usá-las aqui.

 

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Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Brighton

Verão na Inglaterra (ou o que eles chamam de verão, 25°C). Uma amiga me convida para ir a Brighton. O primeiro pensamento na minha cabeça é “a cidade onde a Lydia fugiu com o Wickham!”. E óbvio que a resposta ao convite foi sim. Iria passar o dia em Brighton.

Dessa vez, a viagem foi feita de ônibus, com a famosa National Express. Brighton fica a menos de uma hora de carro/ônibus de Londres, então mal saímos da Victoria Coach Station e já havíamos chegado ao nosso destino.

Demos muita sorte, pois foi um dia lindo, com muito sol, pouco vento e com os 25°C perfeitos para não torrar na beira da praia. Foi uma das minhas primeiras viagens e tudo que eu conseguia pensar era na cidade na época da Jane, famosa por ter sido escolhida como retiro de férias do Prinny, apelido carinhoso dado ao Príncipe Regente, futuro Rei George IV.

Confesso que achei o clima em Brighton muito diferente do clima das praias no Brasil. Talvez tenha sido o fato de não ver pessoas usando roupas de banho vários números menores do que deveriam, ou o fato de que ninguém parecia estar julgando ninguém. Todos estavam ali para aproveitar um dia lindo de sol e aquela paz que só o mar traz.

Não que Brighton seja uma cidade calma. Longe disso. Imagino que como na época da Jane, Brighton é, até hoje, uma das cidades litorâneas mais agitadas da Inglaterra, cheia de jovens e famílias aproveitando o bom tempo e as atrações da cidade, como o parque de diversões e o famoso ‘fish and chips’ (o típico peixe frito e batatas fritas inglês, não mais servido no jornal, mas ainda comido com as mãos).

Apesar de a cidade aparecer pouco nas obras da Jane, Brighton foi uma cidade importante para a sociedade da época, pois foi a cidade escolhida para a construção do Royal Pavilion, a “casa” de férias do Príncipe Regente, que está aberta à visitação e muito interessante. Falando com a Samanta e com outras amigas, achamos que seria interessante escrever um post dedicado à cidade.

A ‘singela’ casa de férias tem estilo indiano por fora, decoração chinesa por dentro e foi habitada pela corte inglesa no século XIX. Ah! A mistura de culturas! O idealizador desse lugar é arquiteto John Nash, famosíssimo durante a regência e, pelo visto, com um gosto tão extravagante quanto o do Príncipe Regente.

Infelizmente, não é permitido tirar fotos do interior do palácio, então vou compartilhar com vocês meus achados do Google, já que a decoração é tão suntuosa que merece ser vista.

Entrar nesse lugar é como voltar ao começo do século XIX – de um jeito bizarro, eu devo admitir. A decoração é interessante, mas eu nunca conseguiria viver em um lugar assim. É simplesmente “too much”.

Tendo sido tão importante para o então Regente, Brighton não poderia deixar de ter uma estátua do homem – muito lisonjeira, devo acrescentar. O Príncipe Regente era famoso por gostar muito de arte, moda, mulheres e, principalmente, comida. Levando-se em conta os relatos da época, a gente só pode pensar que a pessoa que fez essa estátua ignorou a verdadeira “forma” do futuro rei. Se é que vocês me entendem.

Antes de voltar para Londres e depois de um passeio pelas ruas mais movimentadas da cidade, eu e minhas amigas reservamos mais alguns momentos para a praia em si. Foi um dia lindo, e descansar nas pedrinhas (lá não tem areia!) foi um final perfeito para um dia que sempre vai trazer boas lembranças.

Vocês podem encontrar mais informações sobre Brighton e o Royal Pavilion aqui:

http://www.visitbrighton.com/

http://www.brightonhoverpml.org.uk/Pages/home.aspx

Até o próximo post,

Deborah

 


Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen – Groombridge Place

Orgulho & Preconceito é meu livro preferido (seguido de perto por Persuasão, mas isso não vem ao caso) e, nos momentos em que eu me sentia sozinha em Londres, reler alguma passagens ou rever o filme e a minissérie sempre funcionava como um bálsamo para a minha solidão. Apesar de achar a série mais fiel ao livro, eu sou apaixonada pelo filme. A fotografia é linda e as casas… ah! As casas onde eles filmaram o filme de 2005 são divinas!

Resolvi, então, ir conhecer a casa dos Bennets. A Longbourn do filme de 2005 não fica aberta ao público (momento para vaia). Em compensação, a grande atração da propriedade são os jardins enormes, conhecidos como “The Enchanted Forest” (A Floresta Encantada). Então, mesmo sabendo que não poderia entrar na casa, resolvi que visitar o lugar seria o suficiente.

De Londres, peguei um trem para Tunbridge Wells, e de lá, um ônibus até Groombridge Place. Mais uma vez, devo à gentileza dos moradores locais o fato de eu ter encontrado o local.

Como sempre, a entrada da propriedade e a entrada da casa são coisas bem diferentes, e eu andei por um lindo caminho verde e deserto até chegar ao meu destino.

Então, finalmente, cheguei à casa e a primeira coisa que notei foram as quatro árvores enormes e lindas que funcionam como um portão de entrada.

Por alguns momentos, eu achei que estava absolutamente sozinha, até que finalmente encontrei o lugar que vendia os ingressos para entrar na tal floresta encantada e ver a casa dos mais diversos ângulos.

Foi inevitável não me sentir em mais um daqueles momentos maravilhosos “eu estou dentro de um filme”. Eu podia ver a Lizzy caminhando pelos jardins da casa e a Mrs. Bennet gritando atrás dela, a Mary tocando uma música mórbida no piano, a Lydia e a Kitty fofocando sobre os soldados, a Jane tentando apaziguar todo mundo e o Mr. Bennet “rolling his eyes” com um livro na mão e um comentário ácido pronto para ser feito.

A propriedade é enorme, e a parte chamada de “floresta” é muito legal. Por isso, lá fui eu, andar na lama e fingir por algumas horas que eu era a Elizabeth.

Andando por esses caminhos, eu fiquei com a impressão de foi nesse lugar que uma das cenas mais lindas de todos os tempos foi filmada: a segunda proposta. Vocês não acham que pode ter sido mesmo? Já que eu não preciso de muito incentivo para imaginar o Matthew Macfadyen andando na minha direção prestes a declarar o quanto me ama, vou eternamente acreditar que a cena foi filmada lá. Acho que muitas de vocês vão simpatizar comigo

No site da casa, tem uma parte sobre Orgulho & Preconceito e uma das fotos é a do nosso Matthew Darcy andando na neblina. Não preciso de mais nada para me convencer – mesmo que o site tenha também fotos da Assembley em Meryton e de Rosings… Sonhar não custa nada!

Mais uma olhada para a casa, mais umas fotos. Guardando as imagens na minha memória. Outra experiência inesquecível.

Voltando para Tunbridge Wells, me dei conta de que ainda tinha mais um tempo antes que o próximo trem saísse. Olhei ao redor e me deparei com uma loja da BBC. Paraíso. Não preciso nem dizer que saí de lá com uma sacola cheia de DVDs de séries de época.

Quem quiser mais informações sobre o local, pode entrar nesse site: http://www.groombridge.co.uk/home.htm

Até a próxima,

Deborah

 


Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Lyme Park

O Colin Firth foi meu primeiro Darcy – Mark Darcy, eu deveria dizer. Sendo assim, não poderia deixar de visitar a Pemberley dele, da série de 1995, Lyme Park. Já era final de dezembro e eu sabia que a casa estaria fechada, mas não liguei muito para esse detalhe, afinal, o que foi usado na série foi o exterior da casa e ver essa parte já bastava. A previsão do tempo dizia que neve estava a caminho e acho que foi esse detalhe que fez com que eu decidisse ir no dia que eu fui. Nunca tinha visto neve, então, se de fato nevasse e eu estivesse em Pemberley, well, ia ser duplamente lindo!

Já do trem pude ver sinais de neve na paisagem, e quanto mais para o norte o trem ia, mais branca ficava a vista do mundo do lado de fora.

Depois de uma troca de trens – não há um trem direto de Londres a Disley, cidade onde fica Lyme Park, por isso é necessário parar na estação de Stockport e de lá, pegar um trem para Disley -, eu estava pronta para encontrar o Mr. Darcy… Quero dizer, Lyme Park

A neve cobria o chão e eu já estava empolgada por estar vendo neve pela primeira vez, esquecendo a dificuldade de dar um passo com firmeza em um caminho tão escorregadio. Depois de quase um quilometro caminhando, vi uma placa que iluminou ainda mais o dia cinzento – eu estava entrando em Lyme Park!

Da entrada da propriedade, até a casa em si, acho que caminhei pelo menos mais um outro quilômetro. A distância pareceu mais curta do que realmente era, principalmente com a neve ao meu redor e a paisagem toda branca. Nunca tinha visto nada igual – a não ser, talvez, em filmes ou séries e, no momento, eu estava vivendo uma dessas séries.

Finalmente cheguei até a casa. Devo confessar que a primeira impressão foi “ah, o Darcy do Colin não era tão rico quanto o Darcy do Matthew – Chatsworth é maior que Lyme Park”. Apesar de ainda achar que Chatsworth é realmente mais bonita do que Lyme Park, essa Pemberley de 1995 é maravilhosa mesmo assim. E com a neve, então! Eu estava encantada.

Quando eu estava atingindo a parte de trás do lago, de onde temos a primeira visão de Pemberley em Orgulho & Preconceito (1995), começou a nevar. Muito. Eu estava lutando contra a neve para conseguir tirar fotos e, ao mesmo tempo, dando pulinhos de felicidade por ter visto neve, pela primeira vez na vida, em Pemberley. Ahh, a primeira vez a gente nunca esquece!

Vocês lembram o caminho no qual a Elizabeth e o Darcy andam, junto com os Gardiners, quando eles se encontram em Pemberley? Andei por ele! – sim, eu sei que eu me empolgo com coisa insignificantes, mas eu sou assim.

Apesar de estar molhada até a alma, eu estava radiante de felicidade. Vocês conseguem imaginar o Darcy e a Elizabeth sentados em frente a uma lareira, vendo a neve cair? (sendo uma fã assumida de JAFF, não pude evitar pensar nisso!)

A saída da casa se dá pelo mesmo local em que se entra e (de novo minha imaginação entrando em cena) eu não pude deixar de pensar em carruagens entrando por aquele portão, talvez os Bingleys, em uma de suas frequentes visitas aos Darcys…

Infelizmente, devido à quantidade absurda de neve que caia, eu não pude explorar os jardins como eu gostaria, e devido à época do ano (a maioria dessas casas fecha durante o inverno), não pude conhecer o interior da casa. Ainda quero voltar lá. Sem dúvida uma segunda, terceira, quarta, visita vale a pena. Lyme Park me transportou para dentro de Orgulho & Preconceito, e nenhum lugar que tem esse efeito na gente pode ser ruim.

Para mais informações sobre Lyme Park: http://www.nationaltrust.org.uk/lyme-park/

Até semana que vem,


Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Chawton

CHAWTON

‘(…) as for ourselves, we’re very well,
As unaffected prose will tell.
Cassandra’s pen will give our state
The many comforts that await
Our Chawton Home – how much we find
Already in it to our mind,
And how convinced that when complete,
It will all other houses beat,
That ever have been made or mended,
With rooms concise or rooms distended.
You’ll find us very snug next year; (…)’
porque Jane Austen também escreveu poesia!

Uma pequena casa no vilarejo de Chawton foi onde Jane Austen passou os últimos anos de sua vida e onde trabalhou em seus livros (alguns foram apenas revisados, outros inteiramente escritos ali). Hoje, é um museu dedicado à escritora, provavelmente um dos lugares onde mais se entra em contato com quem ela foi, pois além de ter morado ali por vários anos, vários de seus pertences ainda podem ser encontrados na casa. É uma parada obrigatória para fãs da Jane e, portanto, eu não podia deixar de ir.

Não há acesso de trem ao vilarejo, então temos que ir até a cidade mais próxima, Alton, e dali pegar um ônibus ou caminhar até Chawton. Chegando a Alton, eu desesperadamente procurava no mapa “Jane Austen’s House”. E não achava nada. Andei por toda a cidade (é uma cidade pequena, em uma hora já tinha andado por tudo) procurando um mapa, uma placa, qualquer coisa que me dissesse que direção tomar para chegar até a casa da Jane. Já sem esperança, resolvi pedir informações para uma velhinha muito simpática na parada de ônibus. Ela não só me explicou como chegar, como também me levou até a entrada da casa e ficou conversando comigo sobre os livros da Jane. Ahhh! Adoro isso! Não sei vocês, mas quando eu menciono Jane Auten para a maioria dos meus conhecidos, ninguém sabe do que eu estou falando.

Finalmente, então, estava em Chawton! O lugar é lindo e a emoção de estar ali foi grande.

A entrada dos visitantes.

Chegando lá, entra-se pela gift shop, onde ingressos são vendidos (e tantas outras coisas legais!!) e por onde entramos em uma pequena sala exibindo um vídeo sobre a vida da Jane, com foco na época em que ela esteve em Chawton. Após o vídeo, o visitante fica livre para explorar a casa e o simples jardim.

Os cômodos da casa estão decorados conforme se acredita que teriam sido na época em que a Jane morou ali. Os objetos mais interessantes são, obviamente, os que de fato pertenceram à Jane, principalmente a famosa mesa que pertencia aos Austens, onde se acredita que nossos amados livros foram escritos e revisados.

Outros objetos também chamam a atenção (clique nas imagens para ampliá-las):

    

Outra coisa interessante encontrada na casa são algumas roupas e acessórios utilizados nas adaptações dos livros para o cinema.

No quarto dividido por Jane e Cassandra, vemos uma réplica da cama que elas compartilhavam e conhecemos o sistema sanitário da época.

Depois de passear pela casa, visitar todos os cômodos mais de uma vez e fazer muitas compras na gift shop, resolvi caminhar até a igreja que a Jane frequentava, St. Nichols, e onde estão enterradas suas amadas mãe e irmã.

No caminho até lá, me senti um pouco Elizabeth Bennet, andando pelo countryside e pisando na lama. Pena foi não ter esbarrado no Mr. Darcy…

Podem me chamar de boba, mas quando cheguei aos túmulos, agradeci à mãe da Jane por ter dado vida a uma pessoa cuja obra mudou a minha e agradeci, também, à Cassandra por ter amado e cuidado da Jane até o final. Mais emocionante que isso, só a minha visita ao túmulo da Jane, em Winchester – isso fica para outro post.

Conhecer o lugar onde a Jane viveu, ver coisas que pertenceram a ela, caminhar por caminhos que ela caminhou… Chawton é um local muito especial mesmo!

Para saber mais sobre o museu: http://www.jane-austens-house-museum.org.uk/index.php

Até semana que vem,

Deborah


Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Lyme

Meninas, antes de começar esse relato, queria agradecer a todo mundo que vem lendo e comentando nos meus posts. Vocês não sabem como é legal poder compartilhar minhas histórias com gente que eu sei que vai entender e simpatizar com as minhas emoções ao visitar tais lugares. Se vocês tiverem qualquer dúvida e quiserem conversar mais, podem me adicionar no facebook ou mandar e-mail para debysimionato@hotmail.com . Espero que meus relatos não fiquem chatos e que vocês sigam lendo-os!

LYME REGIS

“E só um estranho muito estranho não veria os encantos dos arredores próximos de Lyme e teria vontade de os conhecer melhor.” Persuasão

 Eu amo Persuasão, uma das histórias mais lindas e sem dúvida a mais melancólica que a Jane Austen escreveu. Sendo assim, não podia deixar de visitar Lyme, onde tantos eventos importantes no livro acontecem. Além de Persuasão, Lyme foi um lugar onde a própria Jane passou temporadas, detalhe que só faz a curiosidade aumentar.

Assim como para chegar a Chatsworth e tantos outros lugares, peguei um trem até uma cidade próxima, nesse caso Axminster, e depois um ônibus que me levou ao destino final, a praia de Lyme Regis.

A atmosfera era exatamente como eu imaginava – e, honestamente, como eu queria: cinza e chuvosa. Pode parecer estranho querer visitar uma praia com o tempo assim tão ruim, no entanto, por Persuasão ser melancólico e por Lyme ser parte de Persuasão, eu não esperava nada diferente.

Descendo a rua principal, me deparo com o mar. Apesar de praias terem seu auge no verão, visitar uma no inverno é um ótimo jeito de encontrar tranquilidade e solidão. Pouca gente nas ruas, pouca gente na orla. E só você, o mar e a brisa no rosto. E a esperança de virar o rosto e encontrar o Cap. Wentworth. Infelizmente não foi dessa vez, fiquei só com a paz de espírito mesmo.

Chegando à praia propriamente dita, já é possível avistar o famoso Cobb. Fiz o meu caminho até ele, pisando em pedras e areia – as praias na Inglaterra costumam ter pedras no chão, e não areia, Lyme tinha ambas.

O Cobb é uma construção impressionante, mesmo sendo tão simples. Como sabemos pelo livro e principalmente pelos filmes, o Cobb tem dois “andares” – o primeiro, mais largo e seguro; o segundo, com a superfície desnivelada e onde somos sujeitos à fúria da natureza.

Quando me deparei com a famosa escada onde a Louisa Musgrove brincou de “catch me” não pude evitar um sorriso pela felicidade de estar ali – e, se eu for sincera, por pensar em quão idiota era a Louisa.

Quanto mais para o final da parte de baixo do Cobb eu andava, mas suscetível eu ficava às ondas que batiam do outro lado. Bem na ponta final, há uma espécie de continuação do Cobb com pedras soltas, lindas de ver, mas nas quais não se podem colocar os pés.

Resolvi que estava na hora de encarar a parte mais perigosa: o topo. Eu precisei de muito encorajamento (eu mesma fiz o serviço de líder de torcida, já que estava sozinha 🙂 , mas no fim, subi. Tenho que confessar que eu estava tremendo! As pedras estão constantemente molhadas pelas ondas que batem ali, uma chuva fininha estava caindo e a gente não consegue caminhar reto, pois a construção é torta. Que tensão! Então eu pensei “se a Jane Austen caminhou aqui, eu também posso”. E fui.

Não cheguei até a ponta, pois minha coragem tem limites. Mesmo assim, fiquei muito orgulhosa de mim mesma por ter subido.

Saindo do Cobb e caminhando pela praia, a vista seguia linda.

Foi então que eu me deparei com o Lyme Regis Museum e, vendo a placa, não podia deixar de visitar:

O museu é bem pequeno e é mais dedicado aos fósseis encontrados em Lyme desde antes da época da Jane. Já que esse não era meu interesse, passei relativamente rápido por todo o pequeno museu, até chegar à parte dedicada a nossa autora preferida.

A pequena exposição fala do tempo em que a Jane passou em Lyme, e sobre como era a cidade que ela conheceu. Uma das coisas mais legais no museu é uma placa usada durante as filmagens de Persuasão (1995) pedindo para que os barcos que estivessem no porto fossem retirados devido à gravação do filme. Imaginem que máximo estar na cidade durante as filmagens? 

Na gift shop do museu (eu com vários livros vendidos lá sobre a Jane na mão), a senhora que atendia no caixa me perguntou se eu era fã de Jane Austen. Quando eu confirmei e disse que era essa razão pela qual eu tinha ido até ali, ela abriu um sorriso e disse “pra ver onde a Louisa Musgrove caiu!”. Uma breve conversa sobre a Jane seguiu e uma despedida muito calorosa (quem disse que apenas os brasileiros que são simpáticos?), eu saí do museu.

Com o final da tarde chegando e frio e o vento ficando mais fortes, eu resolvi que era hora de dizer tchau para essa cidade e seguir meu caminho de volta a Londres.

Deixo vocês com uma vista dos telhados da cidade.

Até a próxima semana,

Deborah


Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Chatsworth

Mais um post das aventuras da Deborah, dessa vez em Chatsworth – A.K.A. Pemberley de 2005.

CHATSWORTH HOUSE

No outro lado do parque avistava logo a casa de Pemberley, e a estrada, encurvando-se bruscamente, descia em direção a ela. Era um grande e belo edifício, situado na encosta de uma colina, por trás da qual se elevava uma série de outras colinas arborizadas. Defronte da casa, corria um riacho de tamanho regular que, represado, formava um pequeno lago. As suas margens não tinham sido adornadas pelas mãos do homem. Elizabeth ficou encantada. Nunca vira um lugar tão bem dotado pela natureza.” Orgulho & Preconceito

Quem de nós não sonha com o Mr. Darcy? Quem de nós não sonha com o Mr. Darcy em Pemberley? Pemberley é parte de quem o Mr. Darcy é, e se não podemos conhecê-lo, conhecer Pemberley ‘is the next best thing’.

Já fazia algum tempo que eu queria visitar Chatsworth, mas sempre por algum motivo ou outro, acabava adiando o passeio. Finalmente decidi que daquele final de semana não passaria. Eu iria a Pemberley!

Meu dia começou horrível. Reformas no metrô de Londres me fizeram chegar quatro minutos atrasada à estação de trem e perder o meu – pontualidade inglesa pode ser um saco! Que desespero! Felizmente, foi possível usar a mesma passagem para embarcar no próximo trem, que saía cerca de trinta minutos depois (trinta minutos passados correndo pela estação, carimbando os tickets para serem usados de novo… aff!). Finalmente, estava em um trem em direção ao norte da Inglaterra, mais precisamente à cidade de Chesterfield, onde teria que pegar um ônibus até a entrada da propriedade de Chatsworth.

Em pouco mais de duas horas (e pensar que essa viagem demorava cerca de três dias na época da Jane) estava na tal cidade, agora tendo que descobrir onde pegar o ônibus que me levaria ao me destino final.

Ônibus encontrado, passagem comprada (dentro do próprio ônibus). Eu estava a caminho de Pemberley!

Como não fazia ideia de em qual parada descer, prestei muita atenção ao caminho, às placas e a qualquer indicação de que Chatsworth estava próxima. Foi então que vi a tal placa, só que ela sinalizava uma entrada privativa. Desci na parada seguinte e comecei a procurar uma entrada para visitantes. Quando eu começava a pensar que Chatsworth era um mito, vi uma simples entrada de madeira, indicando o começo da propriedade. Ufa! Respirei aliviada pela primeira vez desde que saí de casa horas antes.

Quando digo “entrada da propriedade” é isso mesmo que eu quero dizer. A gente não consegue nem ver a casa por cerca de um quilômetro. Mas o caminho… ahhh! O caminho até lá é lindo! 

Entre muito verde e centenas de ovelhas – todas soltas! – é possível esquecer que a gente vive no século XXI e voltar ao passado por alguns minutos. Então, finalmente, depois de muito caminhar, temos a primeira vista da casa. A emoção é indescritível.

O caminho continua, com mais belezas naturais no caminho, inclusive um rio que corta a propriedade – não posso ver água que me lembro do Mr. Darcy e a tal da camisa molhada. Eu sei, eu sei… Essa é a Pemberley errada para isso, mas não consigo evitar.

Finalmente cheguei à casa. Tenho que compartilhar com vocês a minha tristeza em ver que a maior parte da casa por fora estava coberta, pois um grande trabalho de restauração e limpeza essa em progresso – as janelas, agora, são revestidas em ouro! Eu ainda volto lá para ver isso tudo!

Entrando na casa, a gente já se depara com a linda decoração e, mais uma vez, voltamos no tempo. A sensação é de que entramos em Orgulho & Preconceito (2005).

Caminhando nos passos da Elizabeth, eu parecia uma idiota andando por aquela casa, sempre sorrindo, completamente encantada – devo confessar que uma das melhores coisas de viajar, pra mim, é viver esses momentos “filme/livro”, estar em lugares que eu vi pela TV ou que só imaginei é surreal.

A biblioteca, que não vemos no filme, é o sonho de qualquer leitor. Acho que eu compreendo o porque de não deixar os visitantes passarem da porta – se eu entrasse, nunca mais conseguiria sair.

Uma das partes mais lindas e legais para uma fã de carteirinha de Orgulho & Preconceito é a galeria de estátuas. Mais um daqueles momentos em que a gente se sente como a Elizabeth. Infelizmente, a estátua do Matthew, que ficou exposta por algum tempo não estava lá. É a minha opinião, compartilhada com a Samanta, que a Duquesa de Devonshire (dona da casa e para quem a estátua foi presenteada) é muito egoísta e quer ficar com a imagem do nosso muso só para ela.

 

A galeria de estátuas é a ultima parte da casa a qual os turistas em acesso. Depois disso, somos direcionados aos jardins – sim, porque todo aquele caminho até a casa NÃO é considerada jardim.

Os jardins são ENORMES! Conservatório, labirinto, o chafariz que aparece no final alternativo do filme de 2005… Não consegui ver tudo. Acho que mais de um dia é necessário para explorar todo o espaço que é humildemente chamado de jardim.

Para mim, uma das coisas mais legais dos jardins foi andar pelo caminho feito pela carruagem que os Gardiners e a Elizabeth fazem para chegar a Pemberley.

Chatsworth foi um dos lugares mais lindos que eu visitei na vida. A casa é divina, mas a paisagem foi o que realmente me tocou. Como visitei a casa no final de setembro, o outono estava chegando, e as cores eram maravilhosas – verdes, vermelhos e marrons se misturando e criando o cenário perfeito, ainda mais com aquela casa lindíssima no meio disso tudo.

Espero um dia poder voltar lá sem que a casa esteja em reforma para finalmente poder andar onde a Elizabeth e o Darcy tem aquela conversa extremamente ‘awkward’ quando eles se encontram em Pemberley. Ahhh, o encontro em Pemberley é minha cena preferida, seja no livro, na série ou no filme. Visitar esse lugar foi mesmo mágico!

Deixo vocês com uma imagem da casa, que assim como a primeira, não é minha. Não é lindo esse lugar?

Para mais informações sobre esse paraíso: http://www.chatsworth.org/

Até o próximo post,

Deborah

PS.: Infelizmente, não encontrei o Mr. Darcy por lá, mas não desisti da minha busca!

(Clique nas imagens para vê-las em melhor resolução)